Vive-se no Brasil uma situação peculiar: crimes são cometidos por autoridades, são comprovados, mas o criminoso nega, sempre sem apresentar provas de que está falando a verdade.
E como se fosse a palavra de um contra a palavra de outro.
Um exemplo típico desse surrealismo tupiniquim é o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. As provas contra ele são concretas, claras, mas ele e seus aliados arrumam as desculpas mais amarelas, tais como venda de carne moída e aplicação em fundos (e não em conta corrente). Como se isso enganasse a todos.
E vão levando de barriga, adiando apurações, procurando, quem sabe, que o tempo passe e tudo caia no esquecimento. Como se nada tivesse acontecido.
Mas essas coisas não ocorrem apenas no meio político. Pode ocorrer bem perto de você, no seu meio.
Pelo menos é o que está acontecendo na SUREG SP. Ali existem alguns cunhas, sem dúvida.
Questionados através deste blog, através da ouvidoria, apenas deram explicações. Mas nenhuma prova. Explicações tipo "carne moída", como fez Eduardo Cunha. Os "cunhinhas" da SUREG SP seguiram o mesmo caminho. Deram satisfações insuficientes e queriam que todos se dessem por satisfeitos.
E tome-lhe explicações estabanadas. O produto da venda irregular de material do IPT em Apiaí, por parte de funcionário da CPRM, foi depositado na conta particular do funcionário. Mas esse ato totalmente ilícito foi denominado pela CPRM, em sua resposta à manifestação, como "equívoco administrativo". O "equívoco administrativo" é a "carne moída enlatada" da CPRM, tamanho disparate.
A ausência de equipamentos de combate a incêndio na litoteca de Araraquara, com a consequente inexistência do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) foi substituída por extintores comuns de incêndio "conforme orientação da Brigada de Incêndio da CPRM". A quem os cunhas da SUREG SP pensam que enganam?
Mas as estultícies dos "cunhas paulistas" não pára por aí. Tiveram vontade de diversificar. Não queriam ser apenas "cunhas". Almejaram mais: tentaram ser "alckmins", que "protegeu" documentos do estado de São Paulo por vários anos. Até que sejam esquecidos.
Os "alckmins" da CPRM entraram, na Justiça Federal, com pedido de mandato de segurança para que o blog fosse tirado do ar. Nos autos alegaram que o conteúdo do blog era falso, repleto de mentiras e ilações.
Mas não apresentaram uma prova sequer contra o conteúdo existente. Apenas tentaram calar, cercear a liberdade de expressão. Talvez, quem sabe, almejando que só fosse lido depois de 25 anos.
Lamentável atitude, principalmente para uma empresa de um governo que se diz popular e progressista.
Menos mal que, até agora, os "cunhas" da CPRM não obtiveram qualquer sucesso...